No dia em que foi para o balcão do restaurante, depois do médico da empresa proibir que ele voltasse à mina, Francisco Parrilla Váler viu entrar no recinto um casal turistas acompanhado de um rapaz que parecia ser uma espécie de guia, embora também estrangeiro. Estava ainda com muito sono. Não dormiu. Há muito tempo não dorme direito, pensando na doença, na verdade o destino de qualquer mineiro. Como fará para sustentar a mulher e o filho? O movimento do restaurante é mínimo, não mais que um ou outro turista perdido, como esses. Como se isso não bastasse, sabe que os resíduos da fábrica de um modo ou de outro terminam mais cedo ou mais tarde por afetar a saúde de todos os moradores da região, sejam ou não mineiros. Se bem que a mulher trabalha nas piscinas do Ayuntamiento e está bem de saúde, graças a Deus. Mas sim, desde o início da década de oitenta sabe-se que a lama está perigosamente perto das casas e das escolas. Num primeiro momento, inclusive, pensou que os inesperados clientes fossem australianos ligados à mineradora; só após ouvir sua conversa alienada de granfinos entendeu que não eram.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

sobra da conversa em madrid

A Noite Alguns Fragmentos

2022 2a